Como escrever até quando parece impossível

Sabe aqueles dias em que tem tanta coisa acontecendo, tantas questões pra resolver, que mesmo se você tiver tempo pra sentar e escrever, as palavras não vêm e você não consegue?

Todo mundo tem dias assim. Eu mesmo tenho vários.

Nesse artigo, eu vou te mostrar 3 passos pra te ajudar a escrever mesmo quando parecer impossível.


Então está tudo acontecendo ao mesmo tempo na sua vida, contas, problemas, atendimentos, questões familiares, estudos, discussões, etc etc… E você finalmente consegue uns minutinhos pra ligar seu computador e escrever um pouco… Mas você não consegue.

Branco total. Nenhum tema cativante vem à sua mente, nada inspirador, nada criativo. O que você escreve parece bobo, repetitivo, e você se arrepende de ter dito às pessoas que iria escrever, porque agora elas estão esperando por algo legal pra ler, e você acha que não tem o necessário. Você começa a se sentir inferior, frustrado, e com vergonha de publicar o que escreveu.

Olha só… Toda pessoa que escreve passa por isso. Perdi as contas de quantas vezes já me senti assim. Por isso que posso te falar sobre o primeiro passo. Já tive que fazer isso diversas vezes.


voce1 – ACREDITE QUE VOCÊ AINDA PODE ESCREVER

Todos nós temos um crítico interno. Sabe de quem eu tô falando, né? Aquela voz idiota lá no fundo da sua mente, que adora aqueles dias em que você não produz. Ela fica sussurrando coisas no seu ouvido.

Ela diz que já era, que você não vai mais conseguir. Que você nunca termina nada. Que você é muito velho (ou muito novo, muito burro, muito inexperiente, muito <<insira aqui seu mimimi>>) pra escrever.

Ela fala sobre coisas horríveis, e todas são sobre o mesmo pesadelo: todas dizem que esse lugar ruim, vazio, feio, onde você se sente hoje, é onde você vai ficar o resto da sua vida.

Essa voz é uma idiota. Já falei isso, né?

Ela mente pra você. Tudo isso sobre você não conseguir… São mentiras.

E você deve até saber disso, ou acha que sabe. Mas naqueles dias difíceis, o MEDO toma conta de você.

Cale essa maldita voz. Esse é o primeiro passo.

Você precisa acreditar que consegue. Olhe no espelho e diga que consegue. Escreva numa folha, com letras grandes, e cole na frente da sua área de trabalho.

Se você algum dia se considerou um escritor, ou gostaria de se sentir como um, isso não mudou.

Você é um escritor até nos dias em que não consegue escrever.


kid-hands2 – LEMBRE-SE DA SUA PAIXÃO

Você consegue se lembrar por que começou (ou quis começar) a escrever? Da sua motivação original?

Talvez tenha sido algo incrível que você leu, que mudou sua forma de olhar pra vida.

Talvez tenha sido uma ideia que conquistou sua cabeça e seu coração, e que te deu muita vontade de compartilhar com as pessoas.

Ou, como eu, talvez você tenha começado apenas sentindo que deveria escrever a partir das suas próprias experiências.

Independente da motivação que originalmente te fez escrever, é hora de lembrar dela.

Pode ser o caso de reler aquele livro que te inspirou. Ou pesquisar novamente no Google sobre aquele assunto que te conquistou lá atrás. De alguma forma, você precisa mostrar pra sua mente o quanto e por que você precisa escrever. Seja o que for, arrume uma maneira de registrar isso. Grave na memória, escreva num papel. Lembre de como você sentiu no seu coração. Lembre daquela ótima sensação de saber que você poderia – ou melhor, deveria – escrever.

E aí escreva essa razão em algum lugar.

Pode ficar num post-it colado no seu monitor. Num papel que você leia toda vez que abre a carteira pra pegar dinheiro. Cole na parede do seu escritório.

Se você estiver sem ideias e desmotivado, o que você escrever nesse papel pode parecer bobo e nada criativo. Mas isso é o seu crítico interno, aquela vozinha desgraçada de novo. Ignore ela. Vamos nos concentrar em você, não nela.

Escreva sua motivação original em algum lugar, e coloque perto daquela primeira declaração, de que você ainda é um escritor mesmo nos dias em que não escreve.

Essa razão ainda é verdadeira. Mesmo que você não a sinta agora, ela ainda tem o mesmo valor de quando te fez começar a escrever.

Pronto pro terceiro passo? É meio esquisito, mas faz sentido.


3 – ESCREVA AS COISAS ERRADAS

Calma. Eu sei que o seu crítico interno vai te dizer que isso vai fazer você escrever mal, ou que você vai perder tempo, ou qualquer outra desculpa. Mas prest’enção: ele diz isso porque ele vai dizer qualquer coisa pra te fazer não escrever.

Qualquer desculpa é mais uma mentira.

Escreva as coisas erradas. Experimente fazer isso SABENDO que vai dar tudo errado.

Deixa eu explicar melhor. Tem duas razões pra isso:

. Escrever as coisas erradas diminui suas expectativas – nesse estado de esgotamento em que talvez você se encontre, as expectativas podem te fazer mais mal do que bem, então é importante ficar atento a elas.

Diminua a pressão. Nesses momentos difíceis, você nem precisa escrever sobre aquilo em que estava trabalhando antes. Escreva sobre qualquer outro assunto. Coloque seus personagens em uma história diferente, em outro universo. Troque os heróis e os vilões de lugar.

Se você escreve não-ficção, dê maus conselhos, de propósito. Poxa, se você se desapegar de verdade, dá até pra se divertir com isso. E essa é a chave, que nos leva à segunda razão:

. Escrever as coisas erradas te dá permissão pra brincar – quando foi a última vez em que você se divertiu escrevendo? Pode ser que já tenha um tempinho, né? Quando tudo acontece ao mesmo tempo, nada mais parece ter um pingo de diversão. Sei muito bem disso.

Mas se você levar sua escrita muito a sério, exageradamente, mesmo que a informação seja importante, o texto precisa ter vida pra ser lido. Em outras palavras, se você quer que o leitor sinta algum prazer com seu texto, você também precisa sentir prazer enquanto escreve.

Mas calma (de novo). Não quero te colocar nenhuma pressão. Só o que eu quero que você faça é tirar a pressão de si mesmo, lembrando de se divertir um pouco de vez em quando.

Vai em frente: dê conselhos ruins. Escreva um capítulo horrível do seu livro, da pior forma possível. Escreva diálogos bobos, de propósito. Conclua seus textos com frases bem clichês.

E depois dê risada disso :)

Quando você fizer isso, estará se tornando um escritor melhor. É um pouco estranho, mas escrever mal te faz entender melhor esse hábito, e te ajuda a escrever bem quando estiver escrevendo pra valer.

Quando você faz isso, você derruba o seu crítico interno, dizendo a ele que sim, você consegue. E ainda zoa com ele.

Brinque um pouco, e talvez você termine aquele dia difícil com um sorriso no rosto.


É difícil. A gente quer seguir com a vida, realizar nossos objetivos, mas os problemas acontecem, e às vezes te deixam se sentindo meio perdido, como no meio de um tiroteio. Mas mesmo assim, você ainda é um escritor.

Saiba que esses dias sempre irão existir, e use-os pra praticar suas habilidades em direções inesperadas. Tire vantagem desses dias vazios pra se preencher com as memórias do porquê de você ter começado.

E ignore a voz do seu crítico interno. Como eu disse, ele é um idiota.


Como você faz nos dias em que não consegue escrever? Escreve aqui embaixo nos comentários ;)

Você já teve algum dia em que queria escrever e não conseguiu?

Pegue agora 15 minutinhos do seu dia, e pratique pelo menos dois dos três passos acima.

  • Saiba que você é um escritor mesmo nos dias em que não escreve.
  • Lembre-se da sua paixão original, o que te fez começar com tudo, e escreva isso em algum lugar. Se hoje for um dia em que você não se sente bem pra isso, pelo menos você chegou aqui até o final desse artigo. Vai lá e escreve sobre sua paixão assim mesmo, de qualquer forma. Não tem problema. Ninguém vai te julgar.
  • Escreva alguma coisa ruim, de propósito. Depois dê risada, e divirta-se com o processo, sem expectativas.

Quando você terminar, compartilhe com alguém (pode ser nos comentários abaixo), e comente o que outras pessoas escreverem por aqui.


O texto acima foi baseado no artigo “3 Steps to Write When Life Goes Nuts“, escrito por Ruthanne Reid, no site The Write Practice.

Sobre o autor

Marcio Coelho

Membro da Sociedade Latino Americana de Coaching, especialista em realização profissional ligada a uma vida de qualidade, escritor e palestrante. Ajudo você a conhecer a si mesmo através do hábito de escrever, para encontrar o equilíbrio entre realização profissional e vida pessoal.

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